20 de setembro de 2008

19 de setembro de 2008

Exposição Pretexto Contemporâneo

Plotagem + impressão digital / adhesive 2007

Charles Narloch

Imagine um grupo de artistas de uma cidade, com experiências e perspectivas díspares. Uma curadoria onde o curador não escolhe os artistas. Um desafio que pressupõe uma nova forma de diálogo, onde a tônica é a autocrítica mútua. Assim é o projeto “Pretexto”, uma iniciativa organizada pelo Sesc em cidades de Santa Catarina.
Em três ou quatro encontros, os artistas se apresentam, falam de sua produção, buscam referenciais e estabelecem um eixo comum, algo que possa aproximá-los e dar origem a uma mostra definida por todos. O curador - como deveria sempre ser - é um coadjuvante desse processo, um mediador autorizado, um viajante nem sempre necessário.
Em Blumenau, o desafio do grupo era sair dos limites apreendidos como próprios de uma obra de arte. Não apenas temia-se o cubo branco, mas também sacralizava-se. Extrapolar esses limites era necessário para entender os quês das poéticas pós-modernas. Pensar o museu como parte integrante da criação, como um sítio específico ou não, aberto à experimentação, levou o grupo a pensar sobre campo expandido.
Para a mostra, nenhum trabalho poderia ser pensado sobre si mesmo, mas como parte de um conjunto que se rende à arquitetura de um museu instalado em um prédio histórico, por onde passaram personagens e personalidades. As contaminações entre artista e espaço fluíram. Territórios pessoais esquecidos ou abandonados foram redescobertos.
Os despistes, como uma nova possibilidade de trompe-l’oeil, foram retomados fora da pintura. O mar diurno e o céu soturno não são exatamente como são percebidos nas fotografias e no vídeo de Andréia Filgueiras. Como não são também reais as enormes sombras projetadas dos desenhos adesivados de Daiana Schvartz.
A paisagem é reconstruída no espaço, passando do suporte aos planos de fundo. Heraldo Fernandes desenha figuras humanas sobre emborrachado, recorta e compõe um conjunto na parede. Maria Salette Werling abre sua pintura, de planos do horizonte, mergulhando-os no branco do espaço. Marlene da Silveira contamina áreas do museu com compridos pães baguetes. Belíria Boni cria o que chama de esculpinturas, apoiadas no chão e na parede. Marlene Hüskes adesiva recortes de plástico colorido diretamente sobre a parede, como camadas de uma pintura concreta.
Memórias individuais tornam-se coletivas ou vice-versa. Suzana Sedrez constrói a imagem de uma charada à mercê de seus interlocutores, nas pistas sutis de seu livro de artista. Lygia Roussenq Neves seqüestra imagens autorizadas de retratos de mulheres idealizadas por elas próprias. Denise Patrício repete a confecção das tripas de mico, agora agregadas à paisagem urbana. Clóvis Truppel tatua desenhos sobre caixas de transporte de frutas, e as acomoda em posições que impossibilitam o uso. Maria Goretti Ferreira e Rosangela Rosa permanecem na cerâmica e buscam referenciais em civilizações pré-históricas. Elisabeth Fiamoncini faz das manchas e do gesto a nova amplitude de sua pintura.
O campo foi finalmente reexpandido. Os entendimentos sobre a arte atual provavelmente também. O cubo branco foi mais uma vez desmistificado, tornado novamente aberto e acessível. Da rua para o museu. Ou do museu para a rua.
O QUÊ: Exposição “Pretexto”, com catorze artistas de Blumenau (SC).
ONDE: Museu de Arte de Blumenau, rua 15 de Novembro, 165, centro, Blumenau (SC), tel.: (47) 3326-6596, mab@fcblu.com.br.
QUANDO: Até 11/10/07, segunda a sexta, 8 às 12h e 13h30 às 17h; sábados, domingos e feriados, 10 às 16h.
QUANTO: Gratuito.

Charles Narloch
16/09/2007

Olhares sobre a Índia

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Mulheres de Gujarat

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